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ARTIGO: A importância das coalizões em sociedade

A incorporação de coalizões impactantes permite a articulação dos saberes técnicos, visto que profissionais de determinados setores assumem agendas coletivas e compartilham objetivos em sinergia

Canal da publicação:

Correio do Estado

Data:

07/05/2024

ARTIGO A importância das coalizões em sociedade

LUCIANA SCAPIN SIGNORINI – HEAD DE ESG DA EDUK

A superação das desigualdades é o maior desafio de nossa sociedade. Observamos diariamente dezenas de diagnósticos com recortes alarmantes por território, de gênero e raça, entre outros. Mas a urgência mesmo é pela (re)ação. Um compromisso concreto com propostas práticas e consistentes no enfrentamento das disparidades socioeconômicas.

Empregos e oportunidades de renda também são desiguais, contribuindo para a segregação e o aprofundamento das situações de precariedade social. Podemos citar, como exemplo, uma das graves consequências dessa dinâmica injusta: uma enorme diferença na expectativa de vida entre habitantes de uma mesma cidade. De acordo com os dados do Mapa da Desigualdade 2023, divulgado pela Rede Nossa São Paulo e Instituto Cidades Sustentáveis, moradores dos Jardins e Itaim Bibi, bairros nobres da Zona Sul de São Paulo, vivem, em média, 82 anos. Já quem vive em Cidade Tiradentes e Iguatemi, bairros do Extremo Leste da capital paulista, tem uma expectativa limitada em 61 anos.

Apesar dos grandes esforços e da preocupação evidente, pesquisas revelam que não estamos no caminho certo para a diminuição dessa desigualdade. Segundo dados disponíveis no relatório oficial sobre o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), as metas com foco na eliminação da pobreza, proteção ao meio ambiente e garantia da paz e prosperidade apresentam tendências insuficientes para serem alcançadas até 2030.

Dando um pouco de luz sobre o “ODS 8 – Trabalho decente e crescimento econômico, mesmo antes da pandemia”, o crescimento econômico não estava nem perto dos níveis necessários para alcançar a meta de 2030. O biênio 2018-2019 experimentou seu nível mais baixo desde a crise de 2008-2009. Além disso, a pandemia trouxe mudanças abruptas e profundas, retardando ainda mais a economia.

Como falar de compromissos concretos ou sobre propostas práticas e consistentes que transformem definitivamente os desafios da humanidade? Como buscamos soluções eficazes para realidades tão complexas sem envolver todos os setores da sociedade?

Um exemplo de práticas inovadoras em prol do desenvolvimento local é o Projeto Aliança pela Transformação Social, parceria que desenvolvemos com a prefeitura de São Bernardo do Campo e com o setor privado local. A iniciativa leva capacitação e geração de renda a mais de 780 pessoas e utiliza a estrutura municipal, as Escolas de Portas Abertas (espaço aberto à comunidade aos sábados que proporciona atividades como esportes, interações culturais, oficinas de artesanato, entre outras).

A convergência entre compromissos, intenções e propostas práticas pode gerar uma excelente oportunidade de coalizões intersetoriais – e quem ganha é a sociedade. A seguir, falaremos mais sobre a potencialidade dessa ação.

Direcionar de maneira eficaz recursos orçamentários é determinante para a promoção da transformação que a sociedade necessita. Sendo assim, a articulação entre os diversos agentes participantes de um determinado processo é o que permite um gasto público mais eficiente e transparente. E esse é um trabalho a ser realizado por diversas instituições, de forma conjunta.

A abordagem intersetorial é capaz de valorizar e priorizar o interesse da população, além de iniciar um processo de transformação em situações na qual grupos de maior poder exercem grande influência nas ações de governo. A movimentação entre os setores é facilitada pelos três pilares: tecnologias de informação, sociedade civil e instituições.

Estamos vivendo uma mudança de cultura global e histórica. Precisamos reconhecer que há uma falha no nosso sistema econômico tradicional e a urgência da mudança desse sistema: deixar de gerar valor apenas para os acionistas e passar a gerar valor a todos os stakeholders, redefinindo o conceito de sucesso na economia.

A incorporação de coalizões impactantes permite a articulação dos saberes técnicos, visto que profissionais de determinados setores assumem agendas coletivas e compartilham objetivos em sinergia. Ao somar todos esses conhecimentos gerados a partir de uma articulação institucional desses setores, cria-se um cenário de abordagem mais amplo e profundo. O resultado desse movimento é a criação de condições para identificar melhores estratégias e saídas positivas para propiciar um bem-estar coletivo.

Vivemos tempos em que o conhecimento é um fator basilar na sociopolítica global. Por isso, é importante levar em consideração a necessidade de utilizar ao máximo toda a contribuição intelectual que os setores público, privado, terceiro setor e acadêmicos são capazes de fornecer.

O Brasil é um país de proporções continentais e reúne no mesmo estado e território dinâmicas de desigualdades profundas, tornando ainda mais complexa e desafiadora a busca por soluções para problemas que impactam a vida da população. Para construir um país próspero, é preciso que toda a sociedade, empresas e governos trabalhem juntos no combate às desigualdades.

Existem importantes caminhos já desenhados. Basta, a todos nós, incentivar cada vez mais as boas ações em prol da redução da desigualdade latente em que vivemos. A união realmente faz, além da força, a diferença para uma sociedade mais justa.

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